Camadas de enchimento, contrapisos ou regularizações sobre lajes

As camadas de concreto sobre lajes podem ser divididas em dois tipos básicos com atenções diferenciadas: Camadas de solidarização ou camadas de enchimento.
 
É comum nos diversos edifícios a necessidade de execução de camadas de solidarização de lajes pré-fabricadas, em geral especificadas pelos responsáveis pelos projetos estruturais ou fornecedores das peças. Nesse caso, há grandes interferências com a garantia estrutural do conjunto, pois incorporam armaduras nos pontos de momentos negativos sobre as vigas de apoios dos painéis, outras armaduras estruturais detalhadas em projeto, e precisam de armaduras ou sistemas de controle de fissuração. Este tema é extenso e será objeto de trabalho específico nas próximas oportunidades.
 
Já nos enchimentos, contrapisos ou regularizações para uso final, entende-se que sua função não é estrutural, porém a necessidade de controle de fissuração é tanto ou até mais importante, para evitar vazamentos nos pavimentos inferiores e a infiltração de líquidos contaminantes ou corrosivos. Por isso, é necessária uma atenção especial com esse item, que é frequentemente negligenciado nas obras.

Exemplos típicos são as lajes de térreo dos edifícios comerciais e residenciais, em que há entre a laje acabada e o piso de acesso de pedestres e veículos, uma altura livre de cerca de 40 cm, por onde são instaladas tubulações, floreiras, espelhos d´água e outros.
 
Nos andares tipos é comum se deixar um espaço menor, para as instalações de piso – com pisos elevados já acabados ou preenchimentos sobre os quais são aplicados revestimentos.
 
Quais são as limitações usuais desses enchimentos?
 

  1. Densidade controlada pois as lajes são projetadas para a maior capacidade de carga útil, sendo indesejável acrescentar cargas mortas

  2. Baixa permeabilidade, sendo locais de instalações em utilização como quartos hospitalares, salas de cirurgia, cozinhas ou copas, sanitários etc

  3. Ajuda na redução de transmissão sonora, sendo apoiados sobre camadas de isolantes como mantas de borracha, mantas de plástico com vazios, placas de materiais de fibras compostas, placas de EPS e outros

  4. Possibilita cargas de utilização diversas, movimentação de equipamentos diversos e empilhadeiras, sem que causem deformações, quebras ou fadiga

  5. Redução de perdas de frio ou de calor nos ambientes climatizados, em relação a pavimentos de outras utilizações ou desocupados;

  6. Outras necessidades específicas.

 
Para as escolhas dos materiais desses enchimentos e de suas características para atendimento a uma ou várias dessas exigências, é importante considerar o trabalho de consultoria ou de projetos para mitigar as interferências com as demais estruturas, revestimentos ou instalações.
 
Exemplos típicos:

  1. Uso de concreto espumígeno ou espumoso para garantia de baixa densidade e baixa carga morta, porém com grandes variações de volume por retração ou por variação térmica;

  2. Enchimento de lajes com concreto sem finos com grande permeabilidade e limitações de cargas;

  3. Enchimentos com blocos ou placas e EPS de elevado custo e limitações de carregamentos;

  4. Andares hospitalares com risco de vazamentos e contaminação, sendo obrigatória a instalação de barreiras e impermeabilizantes;

 
Dentro das escolhas possíveis, deve-se decidir entre camadas aderidas ou flutuantes, camadas de impermeabilização ou de material de baixo atrito para redução de eventuais pontos de restrição e tendência de maior fissuração.
 
Em todas as etapas são essenciais as participações das demais disciplinas envolvidas – arquitetura, estrutura, instalações, construção, controle tecnológico, fornecedores – fazendo parte de nosso trabalho a compatibilização das necessidades, com a apresentação de alternativas para possibilitar uma solução otimizada.

Necessita de um estudo específico para a sua obra? Conte conosco para escolher em conjunto a melhor solução.